País tem 3,5 milhões de empresas inadimplentes
16/09/2014
 
Mais de 3,5 milhões de empresas estavam em julho com dívidas em atraso no país, segundo os critérios da Serasa, resultado da queda das vendas e do aumento de custos com fornecedores, funcionários e bancos.

É o maior volume de inadimplentes já registrado no setor produtivo, segundo a Serasa, dona do maior banco de dados de crédito do país.

O levantamento considera dívidas bancárias com atrasp acima de 90 dias, dívidas tributárias em fase de execução ou incluídas na dívida ativa da União, do Estado ou do município. Para dívidas com fornecedores, foram consideradas aquelas que estão em fase de protesto, ou seja, quando o credor pede para incluir o devedor na lista.

O número equivale à metade dos 7 milhões de empresas "operacionais" no país, segundo os critérios da Serasa. Para a empresa de crédito, é operacional a companhia que pesquisou a situação cadastral de um cliente ou teve o seu CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) consultado no último ano.

A Receita Federal, que emite o VNPJ, contabiliza cerca de 14 milhões de cadastros ativos, incluindo companhias não operacionais (holdings, fundos, empresa de participação etc.), além de firmas que faliram, mas não deram baixa no cadastro de contribuinte. Mesmo contando os CNPJs emitidos, os inadimplentes somam 25%.

São empresas que, pelos mais diversos motivos, estão com débito em atraso no banco, deram cheque sem fundo, tiveram títulos protestados, enfrentam ações judiciais porque não pagaram fornecedores ou funcionários, tiveram (ou terão) a luz e o telefone cortados ou entraram em recuperação judicial - processo em que pede prazo para negociar com credores.

Portanto, têm dificuldades para tomar dinheiro emprestado e comprar a prazo.

Os números da Serasa não incluem os débitos na Receita Federal, no INSS e nos Fiscos estaduais e municipais, com exceção daqueles em fase de execução ou inscritos na dívida ativa.

Do total de inadimplentes, 91% são empresas de pequeno e médio portes - com faturamento de até R$ 50 milhões por ano -, tidas como as mais vulneráveis às flutuações das vendas e do crescimento da economia. São ainda as empresas que mais empregam no país - respondem por 52% dos empregos formais, segundo o Sebrae.

Um terço dessas companhias está no Estado de São Paulo, que concentra o maior número de pequenas empresas. Os setores mais afetados são comércio (47%), serviços (42,6%) e indústria (9,1%).

Para Luiz Rabi, economista da Serasa, o número de empresas inadimplestes mostra o microcosmo da recessão técnica do país, após dois trimestres de contração no PIB.

"A empresa fica inadimplente porque não tem caixa para pagar as contas, pois não vendeu como esperava. Ao mesmo tempo, aumentou o custo de materiais, aluguel, salários e os juros do banco".

RECORDES

Foi a primeira vez que a Serasa fez o levantamento pelo númeto de CNPJ com pendências. Até então, pesquisava o número de dívidas em atraso. Como o dado batia recorde após recorde (subiu 11,4% em julho, na comparação com julho de 2013), decidiu ver o número de empresas.

Para comparar com os anos anteriores, retroagiu ao máximo em seu próprio banco de dados. Descobriu que os 3,578 milhões de inadimplentes de julho deste ano são 8,9% a mais do que os 3,286 milhões de julho de 2013.

"Sabemos que o índice de mortalidade das empresas pequenas é alto. Mas não se trata de um crescimento vegetativo dessa mortalidade. Houve aceleração, o que indica uma piora considerável na economia", disse Rabi.

Para Joseph Couri, presidente do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias de São Paulo, os dados não surpreendem: "É o dia a dia da maioria das pequenas indústrias brasileiras neste ano".

FEIRÃO

Pela primeira vez, a Serasa decidiu realizar um feirão para limpar o nome de empresas, como faz com consumidores. O evento será on-line e prevê desconto para renegociar débitos em atraso.

Irão participar os principais bancos, além das elétricas AES Eletropaulo e Bandeirante, a agência CVC, as teles Oi, TIM e GVT, entre outros. O feirão começa nesta segunda-feira (15) e vai até a meia noite desta sexta (19).

Para limpar o CNPJ, a empresa precisa fazer um cadastro no site da campanha (www.limpanomeempresas.com.br), verificar suas pendências e começar a negociação.

Autor: Toni Sciarreta | Anaïs Fernandes, de São Paulo

 
 
 
 
Bovespa fecha no vermelho, após declarações sobre juros nos EUA
leia mais
Vendas no Dia do Consumidor somaram mais de R$ 200 milhões
leia mais
Governo ampliará a oferta de obras de geração de energia, diz ministro
leia mais
Medida 'acaba com o programa de desoneração da folha', diz Fiesp
leia mais
Agricultura puxa alta do PIB, mas infraestrutura limita crescimento
leia mais
Mercado prevê crescimento perto de zero e inflação acima de 7% em 2015
leia mais
Economia terá 'resultado negativo no curto prazo', diz Levy em Davos
leia mais
Inflação pelo IPC-S fecha 2014 em 6,87%; veja itens que mais pesaram
leia mais
Economistas elevam projeção para a Selic a 12,5% em 2015
leia mais
Reajuste da gasolina eleva também o preço do etanol, mas biocombustível ainda é mais vantajoso para o consumidor
leia mais
Produção de petróleo e gás natural bate novo recorde, diz ANP
leia mais
Receita de serviços sobe 5,7% em junho, diz IBGE
leia mais
Previsão do PIB cai pela 12ª semana e fica em 0,79%, diz BC
leia mais
Preços em alta compensam menor produção de café arábica em MG
leia mais
Em MG, cooperativa aluga máquinas que agilizam a colheita do café
leia mais
Alimentos ficam mais baratos, e inflação em SP desacelera, diz Fipe
leia mais
SP: empresa é multada em R$ 1 bi por contaminar funcionários
leia mais
Inflação dos produtos de verão é de 8,61% em 1 ano, aponta FGV
leia mais
Agricultores de MT esperam preços melhores e seguram a venda da soja
leia mais
Emprego na indústria fica estável em novembro e indica queda para 2013
leia mais
Inflação oficial fecha 2013 em 5,91%, diz IBGEv
leia mais
Instituições financeiras estimam crescimento em 1,95%
leia mais
BNDES aprova R$ 603,9 mi para parques eólicos no RS
leia mais
Brasil vai crescer menos da metade dos emergentes em 2014, diz FMI
leia mais
Poupança ainda ganha da renda fixa
leia mais