Mercado prevê crescimento perto de zero e inflação acima de 7% em 2015
05/02/2015
 
O ano de 2015 vai ser difícil, segundo a expectativa do mercado financeiro. De acordo com pesquisa conduzida pelo Banco Central na semana passada com mais de 100 economistas de instituições financeiras, o crescimento da economia deve ser próximo de zero neste ano; e a inflação deve superar a barreira dos 7%.

A expectativa do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, que estava em 6,99% na semana retrasada, subiu para 7,01% na última semana. Foi a quinta alta seguida na estimativa do mercado financeiro para a inflação de 2015. Se confirmada, a taxa de 7,01% será a maior desde 2004, quando ficou em 7,6%, ou seja, a mais alta em 11 anos.

Com isso, a estimativa do mercado para o IPCA de 2015 segue acima do teto do sistema de metas. A meta central de inflação para este ano e para 2016 é de 4,5%, com tolerância de dois pontos para mais ou para menos. O teto do sistema de metas, portanto, é de 6,5%. Em 2014, a inflação somou 6,41%, o maior valor desde 2011.

O relatório do BC, fruto de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras, mostra que houve estabilidade na estimativa de inflação para 2016: a previsão para a taxa permaneceu 5,6%.

Cenário para a inflação em 2015
Mesmo com o baixo nível de atividade e com a queda dos preços das "commodities" (produtos básicos com cotação internacional), fatores que atuam para conter a inflação, a alta do dólar e dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) continuam pressionando os preços. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.

O governo, para reorganizar as contas públicas, informou que não fará mais repasses para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) neste ano, antes estimados em R$ 9 bilhões. Com isso, a alta da energia elétrica neste ano pode chegar a até 40% em 2015.

Ao mesmo tempo, também anunciou o aumento da tributação sobre os combustíveis, o que pode gerar um aumento de mais de 8% na gasolina e de 6,5% no diesel nas próximas semanas. Com isso, os chamados "preços administrados", segundo o próprio Banco Central, devem subir pelo menos 9,3% em 2015, o maior aumento desde 2004 - quando avançaram 9,77%. O peso dos preços administrados no IPCA é de cerca de 25%.

PIB zero
Ao mesmo tempo em que elevaram sua estimativa de inflação para cerca de 7% neste ano, os economistas do mercado financeiro também reduziram sua previsão para o crescimento da economia brasileira em 2015.

Para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015, os economistas baixaram a estimativa de alta de 0,13% para 0,03% na última semana – na quinta queda consecutiva. Para 2016, a estimativa de expansão da economia caiu de 1,54% para 1,50% de alta na semana passada.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia.

No fim de outubro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira saiu por pouco da recessão técnica no terceiro trimestre de 2014 – quando o PIB cresceu 0,1% na comparação com o trimestre anterior. De janeiro a setembro, a economia teve expansão de 0,2% frente ao mesmo período do ano passado. Já no acumulado em quatro trimestres até setembro, a alta foi de 0,7%.

Na semana retrasada, durante encontro reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que espera um PIB "flat" (próximo de zero) neste ano. Ele anunciou, nas últimas semanas, aumentos de tributos e medidas para conter gastos públicos com o objetivo de resgatar a confiança na economia brasileira.

Taxa de juros
Para a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, que avançou para 12,25% ao ano na semana retrasada, a expectativa do mercado é de 12,5% ao ano no fim de 2015 – o que pressupõe um novo aumento na taxa Selic. Para o término de 2016, a previsão do mercado é de que juros somem 11,5% ao ano.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, o BC tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. Em 2015 e 2016, a meta central é de 4,5% e o teto é de 6,5%.

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2015 permaneceu em R$ 2,80 por dólar. Para o término de 2016, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 2,90 por dólar.

A projeção para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2015 subiu de US$ 4,5 bilhões para US$ 5 bilhões. Para 2016, a previsão de superávit comercial avançou de US$ 10 bilhões para US$ 10,5 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil recuou de US$ 60 bilhões para US$ 59,2 bilhões. Para 2016, a estimativa dos analistas para o aporte ficou estável em US$ 60 bilhões.

Autor: Alexandro Martello | Do G1, em Brasília

 
 
 
 
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