Economia brasileira encolheu 0,11% em janeiro, segundo o Banco Central
16/03/2015
 
BRASÍLIA - A economia brasileira teve contração de 0,11% em janeiro, segundo o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), criado pelo Banco Central para avaliar a evolução da atividade econômica e balizar as decisões de política monetária no país. O resultado ficou pior que o esperado pelos analistas consultados pela Reuters, que previam avanço de 0,01%, de acordo com a mediana das projeções.

Frente ao mesmo mês do ano passado, ou seja, sem ajuste sazonal, o índice teve recuo de 1,75%. Ainda segundo o IBC-Br, em 12 meses, a economia tem contração de 0,39%. Em dezembro, o indicador teve recuo de 0,57% sobre o mês anterior, em número revisado pelo BC após divulgar anteriormente queda de 0,55%.

— O índice foi ajudado pela melhora nas vendas do varejo. Caso contrário, poderia ter sido pior — disse o economista André Perfeito, da Gradual.

O IBGE informou nesta sexta-feira que as vendas no comércio iniciaram o ano em alta, fechando janeiro com resultado positivo de 0,8% frente a dezembro. Em dezembro, apesar do Natal, o setor havia registrado recuo de 2,6%, interrompendo uma sequência de quatro altas seguidas no mês.

MELHORA DO VAREJO NÃO DEVE SE SUSTENTAR

Em relatório enviado a clientes, Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, afirma que a queda do IBC-Br em janeiro reforça expectativa de retração do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) no primeiro trimestre.

Segundo o economista, o resultado do varejo em janeiro foi uma "surpresa positiva", mas, para ele, "a descompressão dos salários e o fraco desempenho da economia doméstica em 2015 deverão impedir uma recuperação mais sustentada do varejo e do consumo das famílias como um todo".

Pesquisa realizada semanalmente pelo BC com analistas de instituições financeiras apontou piora nas projeções para o PIB em 2015. De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira, a previsão é de recuo de 0,78% este ano no PIB, ante queda de 0,66% esperada anteriormente.

Na mesma pesquisa, a expectativa de alta do IPCA neste ano passou a 7,93%. Ou seja, bem acima do teto da meta de inflação, que é de 6,5%. No início de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou a taxa básica Selic em 0,50 ponto percentual, para 12,75% ao ano.

CÁLCULO É DIFERENTE DA CONTA DO IBGE

Tanto o IBC-Br quanto o Produto Interno Bruto (PIB) são indicadores que medem a atividade econômica, mas têm diferenças na metodologia. O IBC-Br foi criado pelo BC para ser uma referência do comportamento da atividade econômica que sirva para orientar a política de controle da inflação pelo Comitê de Política Monetária (Copom), uma vez que o dado oficial do PIB é divulgado pelo IBGE com defasagem.

O indicador do BC leva em conta trajetória de variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (indústria, agropecuária e serviços).

Já o PIB é calculado pelo IBGE a partir da soma dos bens e serviços produzidos na economia. Pelo lado da produção, considera-se a agropecuária, a indústria, os serviços, além dos impostos. Já pelo lado da demanda, são computados dados do consumo das famílias, consumo do governo e investimentos, além de exportações e importações.

O IBC-Br não pode ser considerado uma prévia do PIB porque o dado oficial é muito mais complexo. É o que os economistas chamam de proxy, uma aproximação. As divergências com o número do IBGE refletem-se nos números. O número costumava a ter resultados próximos ao dado oficial, mas tem apresentado resultados descolados por causa das diferenças metodológicas.

Economistas apontam, no entanto, que o IBC-Br indica a tendência da atividade econômica, o que ajuda a dar uma avaliação geral do PIB.

Autor: ELIANE OLIVEIRA

 
 
 
 
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